As 21 regras do black tie
O que está realmente escrito num convite com a indicação black tie, porque é que o laço se ata à mão, e as vinte e uma regras que repetimos aos clientes antes de cada época de casamentos e de festas.

Chega um convite, e ao fundo, em letra pequena, está escrito black tie. No armário há um bom fato azul-escuro, e a pergunta que nos fazem ao telefone é sempre a mesma: serve. Respondo sempre da mesma maneira: serve, se estiver disposto a passar a noite a explicar porque é que veio de fato. Black tie traduz-se de forma simples. É smoking, e nada além de smoking.
As regras deste código fixaram-se por volta dos anos vinte e desde então quase não se mexeram, o que no guarda-roupa masculino é raro. Por isso podem aprender-se de uma vez. Reunimos as vinte e uma regras que repetimos aos clientes antes de cada época de casamentos, de galas e de jantares de fim de ano. Umas são sobre o smoking, outras sobre a camisa e o laço, e as últimas sobre aquilo de que toda a gente se esquece.
De onde vem o código black tie
Até ao fim do século XIX vestia-se de noite fraque com laço branco, e o código chamava-se justamente white tie. O casaco curto sem abas que o príncipe de Gales encomendou à Henry Poole em 1865 era, no início, uma peça doméstica para a sala de fumo. Mas os jantares foram encurtando, as salas apertando e o fraque tornando-se incómodo, e pelos anos vinte o laço preto com smoking tinha empurrado o laço branco com fraque para fora de todos os convites, menos os de palácio. O nome ficou do laço: black tie quer dizer laço preto, ou seja, smoking; white tie quer dizer laço branco, ou seja, fraque.
Porque é que em 1935 Fred Astaire ainda dança de fraque em Top Hat. Porque é que no jantar em honra de Kennedy, em 1961, metade dos convidados está de smoking branco. Porque é que hoje se escreve cada vez mais creative black tie nos convites. Porque um código de vestuário é uma coisa viva e anda sempre um pouco atrasado em relação à vida. Nos anos trinta o fraque já era cinema, o smoking branco era a regra dos trópicos, e creative black tie quer normalmente dizer que os donos da festa ainda não decidiram.


O smoking: como escolher
- A cor é preta ou azul meia-noite. Bordô, verde e veludo ficam para o jantar em casa de amigos, onde o black tie está escrito sem rigor.
- A lapela é de bico ou xaile. A lapela de fato com entalhe apareceu no smoking nos anos setenta, ao mesmo tempo que o aluguer, e denuncia o aluguer à primeira vista.
- A lapela é coberta a seda, cetim liso ou gorgorão canelado. Os botões são forrados com a mesma seda.
- O botão é um só. Um smoking cruzado é admissível, temos um cor de marfim, mas o direito de um botão continua a ser a referência.
- Os bolsos são de meter, sem pala. As palas são um detalhe de dia.
- O tecido é uma lã densa e mate, nunca brilhante. Qual delas, e porquê, é uma decisão da encomenda e está explicada em smoking por medida em Lisboa.
- As calças são do mesmo tecido, com galão de seda na costura lateral, sem dobra na bainha e sem passadores para cinto. Em vez de cinto, ajustes laterais ou suspensórios.
- O smoking tem de assentar exatamente nos ombros. Tudo o resto um alfaiate corrige; ombros não se refazem.


A camisa, o laço e o que vai por baixo do casaco
- A camisa é branca, de colarinho virado e peitilho macio. O colarinho de pontas viradas pertence ao fraque e num smoking fica com ar de fato de época.
- Na carcela levam-se botões de peitilho e nos punhos botões de punho. Madrepérola, ónix ou esmalte preto, nada que brilhe.
- O laço é preto, de seda, do mesmo material da lapela, e atado à mão. Um laço já feito com elástico vê-se do outro lado da sala, e um nó ligeiramente torto lê-se como qualidade.
- O cós das calças fica tapado: por um colete ou por uma faixa. A faixa usa-se com as pregas voltadas para cima; conta a lenda que era ali que se guardava o bilhete do teatro.
- O colete de smoking é baixo, muito aberto, para deixar ver o peitilho. Um colete de fato de trabalho não serve aqui.
- Uma gravata em vez do laço não conta, mesmo preta. É daqueles casos em que é preferível quebrar a regra à vista de todos do que às escondidas.



Sapatos, relógio e tudo o resto
- Os sapatos são pretos: oxfords de verniz, opera pumps com laçada, ou simplesmente oxfords de pele lisa muito bem engraxados. Nada de brogues e nada de castanho.
- As meias são pretas, finas e altas. Um tornozelo à vista quando se cruza a perna estraga a noite inteira.
- O lenço de peito é branco, de linho ou de seda, dobrado a direito. Um lenço de cor com uma flor na lapela ao mesmo tempo é carga a mais.
- O relógio é fino, com bracelete de pele, ou não há relógio. Um relógio desportivo com smoking é o equivalente a sapatilhas com fraque.
- O casaco por cima é escuro e liso, de preferência preto ou azul-escuro até ao joelho. Um casaco de penas por cima de um smoking guarda-se para o bengaleiro, onde ninguém o vê.
- O smoking veste-se depois das seis da tarde. Num casamento de dia, às quatro, parece um erro de código por muito bem cortado que esteja.
- Uma regra em vez de todas: num smoking não deve haver nada que se use de dia. Se tiver dúvidas sobre um detalhe, tire-o.
Não acompanho quem diz que isto são convenções. As convenções são exatamente o sentido da coisa: uma noite em que toda a gente chegou vestida pela mesma regra parece uma única fotografia, e nessa fotografia ou está, ou está de fato.
Black tie traduz-se de forma simples. É smoking, e nada além de smoking.ATELIER 23

Onde comprar um smoking em Lisboa e quando encomendar
No atelier da Avenida da Liberdade há três smokings prontos: o preto de lapela de bico em lã Vitale Barberis Canonico Super 130's, o cruzado cor de marfim de lapela xaile e o casaco de veludo azul-escuro da Scabal. Os arranjos à figura estão incluídos no preço e demoram de uma a duas semanas. Um smoking pronto nosso assenta de maneira diferente de um alugado por uma razão só: este é ajustado a si, e o alugado foi ajustado a toda a gente.
O smoking por medida leva quatro a seis semanas com uma prova pelo meio, e aqui volto a ser chato: para as festas de fim de ano encomenda-se em outubro, e para a época de casamentos em fevereiro ou março. Quem chega no fim de novembro recebe-o em janeiro, e janeiro é o mês em que um smoking faz menos falta.
As camisas de peitilho, os laços, os botões de punho e as faixas estão no atelier ao lado de cada smoking, para que numa visita se resolva a noite inteira. Os fatos e smokings prontos estão no catálogo.
Perguntas antes de encomendar
O que significa o código black tie?
Smoking preto ou azul meia-noite, camisa branca de peitilho, laço preto atado à mão e sapatos pretos. Um fato escuro com gravata não cumpre o convite.
Qual deve ser o primeiro smoking?
O preto, direito, de um botão, com lapela de bico ou xaile. Serve para todos os convites; o azul meia-noite e o marfim vêm a seguir.
Pode usar-se gravata em vez de laço?
Pelas regras do black tie, não. O laço é preto, de seda e atado à mão.
Onde comprar um smoking em Lisboa?
No ATELIER 23, na Avenida da Liberdade 110, há smokings prontos com arranjos à figura incluídos e smoking por medida em tecidos Vitale Barberis Canonico, Dormeuil e Scabal.
Quanto custa um smoking?
Os smokings por medida começam nos 1 950 euros e o valor final depende do tecido. As peças prontas têm o preço indicado no catálogo, com os arranjos incluídos.
Onde fica o atelier ATELIER 23?
Avenida da Liberdade 110, escritório 209, em Lisboa. Visitas mediante marcação, todos os dias.
No atelier neste momento: Black Tuxedo · Ivory Shawl Tuxedo · Velvet Tuxedo
Marcar uma visita ao ATELIER 23
Mostramos os smokings prontos e os tecidos em corte, e escolhemos a camisa, o laço e os botões de punho. A visita demora cerca de uma hora e não obriga a nada.