Como Avaliar um Alfaiate em Lisboa
Quatro perguntas que separam um fato que vai durar quinze anos de um que vai passar esses quinze anos no fundo do roupeiro. E o que olhar por dentro de um casaco antes de assinar.

Encontrar um alfaiate em Lisboa é fácil. Encontrar um que justifique o seu dinheiro e o seu tempo é outra conversa, e não se resolve com recomendações de amigos que também nunca souberam o que perguntar.
Não vou dizer-lhe que somos a resposta. Vou dizer-lhe o que perguntar em qualquer casa da cidade, incluindo a nossa, e o que fazer com as respostas. Se a casa responder às quatro perguntas sem rodeios, pode encomendar com descanso. Se hesitar numa delas, já sabe alguma coisa.
Quatro perguntas
1. A tela é cosida ou colada?
É a pergunta que separa tudo o resto. A entretela colada é rápida e barata de produzir. Endurece com o tempo, empola no peito depois da limpeza a seco e nunca chega a moldar-se ao corpo. A tela integral, uma camada solta de crina e linho cosida à lã, respira, acompanha o movimento e melhora com o uso. Quem faz colado costuma responder com uma frase longa. Quem faz cosido responde numa palavra.
2. Com que fábricas trabalham?
Uma casa que tem acesso a Loro Piana, Scabal, Holland & Sherry, Dormeuil ou Vitale Barberis Canonico está a trabalhar com material afinado ao longo de décadas. Quem não sabe nomear as fábricas com que trabalha está a comprar tecido a quem lho vender mais barato nessa semana. Não é um crime, mas é uma informação. O que os números do tecido querem dizer está em peso, tecelagem e o sistema Super.
3. Quanto tempo dura a primeira conversa?
Uma consulta a sério leva pelo menos quarenta e cinco minutos, e as medidas sozinhas levam vinte. Quem o despacha em quinze não está a olhar para a postura, para a inclinação do ombro nem para a maneira como se põe de pé. São esses os pormenores que decidem se o fato assenta ou se apenas se aproxima.
4. Quando é que me podem receber?
Em Lisboa, a maioria das casas fecha ao sábado à tarde e ao domingo inteiro. Para quem está de passagem, isso elimina precisamente a janela que existe. Vale a pena perguntar antes de organizar a viagem à volta de uma marcação que não vai conseguir.

O que olhar por dentro de um casaco
Peça um casaco pronto e vire-o do avesso. Há quatro coisas visíveis a olho nu.
- O peito. Aperte a lapela entre o polegar e o indicador, uns dez centímetros abaixo da casa da lapela. Se sentir três camadas soltas que deslizam entre si, é tela. Se sentir uma placa única e rígida, é cola.
- As casas dos botões. Feitas à máquina são regulares e planas. Feitas à mão têm um relevo ligeiro e um remate arredondado. Nenhuma das duas é errada, mas dizem-lhe onde a casa gasta o tempo.
- O forro na cava. Deve estar cosido com uma folga, não esticado. Um forro esticado rasga na primeira vez que se estender o braço para tirar a mala do bagageiro.
- As costuras laterais. Devem ter margem para abrir. Um fato sem folga nas costuras é um fato que só serve com o peso que tinha no dia em que o mediram.




O panorama em Lisboa, sem propaganda
Lisboa tem uma cultura de alfaiataria pequena mas verdadeira. A proximidade da Serra da Estrela, onde se produz lã fina há séculos, deu aos artesãos daqui acesso a boa matéria-prima. O custo do trabalho é mais baixo do que em Londres ou em Nápoles, e isso aparece no preço sem aparecer na construção.
Os preços na cidade vão dos 350 € de entrada aos mais de 5 000 € de um bespoke completo. Entre um extremo e o outro há uma faixa larga onde a diferença de qualidade não se vê na montra: vê-se pela tela, pelo tecido e pelo tempo que a casa lhe dedica. É a faixa onde estamos, e é a faixa que serve a maior parte das pessoas que não querem esperar seis meses nem gastar o preço de um carro usado.

O que uma boa primeira visita parece
Perguntam-lhe para que serve o fato antes de lhe mostrarem tecidos. Olham para o que traz vestido. Explicam o peso do tecido em função do que vai fazer com ele, não em função do que custa mais. Dão-lhe um preço fechado e uma data. E deixam-no sair sem ter encomendado nada.
Se quiser saber o que acontece minuto a minuto numa hora dessas, está descrito em a primeira consulta, passo a passo. Os preços e os prazos estão em fato à medida em Lisboa.
Não escolha pela montra nem pela recomendação. Escolha pela resposta à primeira pergunta.
Perguntas antes de encomendar
Como sei se um alfaiate em Lisboa é bom?
Faça as quatro perguntas: tela cosida ou colada, que fábricas de tecido, quanto dura a consulta e se recebe ao fim de semana. Uma casa que responde às quatro sem rodeios é uma casa onde pode encomendar.
Os alfaiates em Lisboa têm boa qualidade?
A tradição existe e está ligada à produção de lã fina na Serra da Estrela e à influência das escolas inglesa e italiana. A qualidade varia muito entre casas, e o que a separa é o método de construção e a origem do tecido, não a antiguidade da montra.
Quanto custa um fato num alfaiate em Lisboa?
A entrada anda pelos 350 a 500 €. A faixa de qualidade média, onde estamos, começa nos 1 500 €. Um bespoke completo em Lisboa pode chegar aos 3 000 a 5 000 €.
Há alfaiates em Lisboa que falem inglês?
Sim. No ATELIER 23 fazemos a consulta em português, inglês, espanhol e russo.
Os alfaiates de Lisboa trabalham ao fim de semana?
A maioria não. Nós recebemos os sete dias da semana, mediante marcação.
Consigo um fato feito em Lisboa numa semana?
Não. Um fato bem construído leva quatro a seis semanas. Podemos enviá-lo para a sua morada depois de regressar.
Marcar uma visita ao ATELIER 23
Mostramos os tecidos em corte, tiramos as medidas e damos-lhe um prazo. As peças prontas estão no catálogo e o processo está descrito em medida por medida. A visita demora cerca de uma hora e não obriga a nada.