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Como Avaliar um Alfaiate em Lisboa

Quatro perguntas que separam um fato que vai durar quinze anos de um que vai passar esses quinze anos no fundo do roupeiro. E o que olhar por dentro de um casaco antes de assinar.

Etiqueta ATELIER 23 cosida no forro cinzento de um casaco
Um casaco diz quase tudo pelo avesso. A etiqueta é a última coisa a olhar, não a primeira.

Encontrar um alfaiate em Lisboa é fácil. Encontrar um que justifique o seu dinheiro e o seu tempo é outra conversa, e não se resolve com recomendações de amigos que também nunca souberam o que perguntar.

Não vou dizer-lhe que somos a resposta. Vou dizer-lhe o que perguntar em qualquer casa da cidade, incluindo a nossa, e o que fazer com as respostas. Se a casa responder às quatro perguntas sem rodeios, pode encomendar com descanso. Se hesitar numa delas, já sabe alguma coisa.

Quatro perguntas

1. A tela é cosida ou colada?

É a pergunta que separa tudo o resto. A entretela colada é rápida e barata de produzir. Endurece com o tempo, empola no peito depois da limpeza a seco e nunca chega a moldar-se ao corpo. A tela integral, uma camada solta de crina e linho cosida à lã, respira, acompanha o movimento e melhora com o uso. Quem faz colado costuma responder com uma frase longa. Quem faz cosido responde numa palavra.

2. Com que fábricas trabalham?

Uma casa que tem acesso a Loro Piana, Scabal, Holland & Sherry, Dormeuil ou Vitale Barberis Canonico está a trabalhar com material afinado ao longo de décadas. Quem não sabe nomear as fábricas com que trabalha está a comprar tecido a quem lho vender mais barato nessa semana. Não é um crime, mas é uma informação. O que os números do tecido querem dizer está em peso, tecelagem e o sistema Super.

3. Quanto tempo dura a primeira conversa?

Uma consulta a sério leva pelo menos quarenta e cinco minutos, e as medidas sozinhas levam vinte. Quem o despacha em quinze não está a olhar para a postura, para a inclinação do ombro nem para a maneira como se põe de pé. São esses os pormenores que decidem se o fato assenta ou se apenas se aproxima.

4. Quando é que me podem receber?

Em Lisboa, a maioria das casas fecha ao sábado à tarde e ao domingo inteiro. Para quem está de passagem, isso elimina precisamente a janela que existe. Vale a pena perguntar antes de organizar a viagem à volta de uma marcação que não vai conseguir.

Livros de amostras de tecidos italianos abertos em leque
Uma casa que trabalha com fábricas conhecidas mostra os livros sem ser preciso pedir.

O que olhar por dentro de um casaco

Peça um casaco pronto e vire-o do avesso. Há quatro coisas visíveis a olho nu.

  1. O peito. Aperte a lapela entre o polegar e o indicador, uns dez centímetros abaixo da casa da lapela. Se sentir três camadas soltas que deslizam entre si, é tela. Se sentir uma placa única e rígida, é cola.
  2. As casas dos botões. Feitas à máquina são regulares e planas. Feitas à mão têm um relevo ligeiro e um remate arredondado. Nenhuma das duas é errada, mas dizem-lhe onde a casa gasta o tempo.
  3. O forro na cava. Deve estar cosido com uma folga, não esticado. Um forro esticado rasga na primeira vez que se estender o braço para tirar a mala do bagageiro.
  4. As costuras laterais. Devem ter margem para abrir. Um fato sem folga nas costuras é um fato que só serve com o peso que tinha no dia em que o mediram.
Etiqueta com nome e data no forro branco de um casaco castanho
O nome e a data escritos por dentro. Serve para o acerto que vem daqui a três anos.
Bolso de casaco com alinhavo de prova
O bolso ainda fechado a alinhavo. Abre-se depois de a posição estar aprovada.
Etiqueta Loro Piana cosida no forro de um casaco
A etiqueta da fábrica cosida no forro. Uma casa que trabalha com estas fábricas não tem problema em mostrá-la.
Peças de tecido cortadas prontas a coser na oficina
O corte de uma peça, à espera da costura. É aqui que a diferença entre casas se decide.

O panorama em Lisboa, sem propaganda

Lisboa tem uma cultura de alfaiataria pequena mas verdadeira. A proximidade da Serra da Estrela, onde se produz lã fina há séculos, deu aos artesãos daqui acesso a boa matéria-prima. O custo do trabalho é mais baixo do que em Londres ou em Nápoles, e isso aparece no preço sem aparecer na construção.

Os preços na cidade vão dos 350 € de entrada aos mais de 5 000 € de um bespoke completo. Entre um extremo e o outro há uma faixa larga onde a diferença de qualidade não se vê na montra: vê-se pela tela, pelo tecido e pelo tempo que a casa lhe dedica. É a faixa onde estamos, e é a faixa que serve a maior parte das pessoas que não querem esperar seis meses nem gastar o preço de um carro usado.

Fato cinzento montado num manequim de alfaiate
Um casaco no manequim mostra a linha do ombro melhor do que num corpo. É por isso que ali fica.

O que uma boa primeira visita parece

Perguntam-lhe para que serve o fato antes de lhe mostrarem tecidos. Olham para o que traz vestido. Explicam o peso do tecido em função do que vai fazer com ele, não em função do que custa mais. Dão-lhe um preço fechado e uma data. E deixam-no sair sem ter encomendado nada.

Se quiser saber o que acontece minuto a minuto numa hora dessas, está descrito em a primeira consulta, passo a passo. Os preços e os prazos estão em fato à medida em Lisboa.

Não escolha pela montra nem pela recomendação. Escolha pela resposta à primeira pergunta.

Perguntas antes de encomendar

Como sei se um alfaiate em Lisboa é bom?
Faça as quatro perguntas: tela cosida ou colada, que fábricas de tecido, quanto dura a consulta e se recebe ao fim de semana. Uma casa que responde às quatro sem rodeios é uma casa onde pode encomendar.

Os alfaiates em Lisboa têm boa qualidade?
A tradição existe e está ligada à produção de lã fina na Serra da Estrela e à influência das escolas inglesa e italiana. A qualidade varia muito entre casas, e o que a separa é o método de construção e a origem do tecido, não a antiguidade da montra.

Quanto custa um fato num alfaiate em Lisboa?
A entrada anda pelos 350 a 500 €. A faixa de qualidade média, onde estamos, começa nos 1 500 €. Um bespoke completo em Lisboa pode chegar aos 3 000 a 5 000 €.

Há alfaiates em Lisboa que falem inglês?
Sim. No ATELIER 23 fazemos a consulta em português, inglês, espanhol e russo.

Os alfaiates de Lisboa trabalham ao fim de semana?
A maioria não. Nós recebemos os sete dias da semana, mediante marcação.

Consigo um fato feito em Lisboa numa semana?
Não. Um fato bem construído leva quatro a seis semanas. Podemos enviá-lo para a sua morada depois de regressar.

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Mostramos os tecidos em corte, tiramos as medidas e damos-lhe um prazo. As peças prontas estão no catálogo e o processo está descrito em medida por medida. A visita demora cerca de uma hora e não obriga a nada.

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1269-046 Lisboa
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Com os melhores cumprimentos, Andrey Kostenko
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