ATELIER 23 · Jornal · Atelier

A Primeira Consulta no ATELIER 23, Passo a Passo

O que acontece na hora que passa entre subir ao escritório 209 da Avenida da Liberdade e sair com uma data marcada. E o que acontece nas oito semanas seguintes.

Homem numa rua de Lisboa com colete acolchoado azul-marinho e calças de linho claras
A consulta começa antes de entrar: com o que já veste e com o que essa roupa faz bem e faz mal.

A parte que assusta uma pessoa que nunca encomendou um fato não é o preço. É não saber o que vai ter de dizer. Chega-se a uma alfaiataria com a ideia de que é preciso ter uma opinião formada sobre lapelas, e não é preciso. A primeira consulta serve exatamente para o contrário: para nós percebermos o que faz falta antes de o cliente ter de decidir seja o que for.

Escrevo isto para que quem marque saiba ao que vem. A visita demora cerca de uma hora, não custa nada e não obriga a nada.

Antes de vir

Traga duas coisas, se puder. O fato ou o casaco que hoje lhe serve melhor, mesmo que esteja gasto, porque um casaco que assenta bem diz mais em dois minutos do que meia hora de conversa. E os sapatos que tenciona usar com o fato novo, porque a altura do salto muda o comprimento da calça e é medido com eles calçados.

Não precisa de trazer ideias sobre tecido. Precisa de trazer a ocasião: trabalho diário, tribunal, um casamento em julho, jantares. É a ocasião que decide quase tudo o resto.

O atelier

Avenida da Liberdade 110, escritório 209. Não é uma loja com montra e araras para percorrer. É um espaço de trabalho: rolos de tecido da Loro Piana, Scabal, Holland & Sherry e Vitale Barberis Canonico encostados à parede, cartões de amostras nas mesas e as ferramentas do ofício à vista. Cabem três pessoas com conforto, o que é propositado.

Livros de amostras Loro Piana empilhados no atelier
Os livros ficam à mão. Quase todas as decisões da primeira hora tomam-se com um deles aberto ao colo.

A conversa

Começa por perguntas e não por propostas. Para que serve o fato. O que os fatos que já tem fazem mal: apertam nas costas, a manga tapa o punho da camisa, o colarinho afasta-se do pescoço quando anda. Como se move num dia normal e se passa mais tempo sentado ou de pé.

Depois olhamos para si de pé, ao espelho, e falamos de cor e de silhueta. Se for o primeiro fato à medida, a recomendação é quase sempre a mesma: azul-escuro, liso, direito, dois botões. Não por falta de imaginação. Porque é a peça que serve mais dias por ano, e porque a segunda encomenda pode arriscar em cima de um molde que já sabemos que assenta. As restantes recomendações para uma primeira encomenda estão em 9 dicas antes do seu primeiro fato à medida.

O tecido

É a parte de que as pessoas gostam. Pega-se nos cortes, sente-se o peso na mão, dobra-se para ver a queda. Explicamos como cada um se comporta ao fim de seis meses de uso, como segura o vinco e como se porta no calor de Lisboa em julho e na humidade de janeiro.

O número que interessa não é o Super. É o peso. Para um fato de trabalho diário, 270 a 300 g/m². Para o verão português, 220 a 250 g/m², de preferência com um pouco de linho ou seda na mistura. O que os outros números do livro querem dizer está em peso, tecelagem e o sistema Super.

Livro de amostras Vitale Barberis Canonico sobre flanela bege de risca de giz
O corte escolhido fica identificado com o livro de onde veio.
Amostras de tecido da nova coleção sobre uma mesa
As coleções mudam duas vezes por ano. O que está em livro está disponível.

As medidas

Cerca de vinte, tiradas por cima da camisa, com o casaco fora. Comprimento do casaco, peito, cintura, anca, ombro, inclinação da manga, cavalo, entrepernas. A fita demora vinte minutos e não é a parte importante.

A parte importante é o segundo caderno, o das notas: um ombro mais baixo do que o outro, a bacia rodada, a inclinação para a frente, a diferença entre a sua postura de pé e a sua postura ao fim de duas horas sentado. É isto que faz com que o casaco não repuxe atrás quando estende o braço. Fica tudo guardado com o seu nome, e a encomenda seguinte já pode ser feita à distância.

Fita métrica pousada sobre um fato cinzento
Vinte números e uma página de notas. A página é que separa um fato que serve de um fato que quase serve.

O que fica combinado antes de sair

Sai daqui com quatro coisas: o tecido escolhido e identificado, o preço fechado, a data da prova e a data da entrega. O preço não muda depois. Não há suplemento de tecido a meio do caminho, nem taxa de prova, nem extras à entrega. Os valores estão em fato à medida em Lisboa.

Quatro a seis semanas depois

O corte e a costura fazem-se na nossa oficina na Serra da Estrela, a duas horas daqui. Tela integral cosida à mão, casas rematadas, forro montado com folga. O caminho da peça dentro da oficina está contado em como é feito um fato à medida.

Peças de tecido cortadas prontas a coser na oficina
As peças cortadas esperam pela costura. Cada conjunto pertence a uma pessoa e tem o nome escrito.
Lapela com alinhavo branco durante a prova
O alinhavo marca a lapela e sai depois da prova.
Bolso fechado a alinhavo durante a prova
O bolso só se abre depois de a posição estar aprovada.

A prova

Volta cá uma vez, com a camisa e os sapatos que vai usar. Vemos o rolo do peito, a linha do ombro, o comprimento da manga com o punho à mostra, a quebra da calça. Os acertos marcam-se com giz e fazem-se a seguir. A entrega é na semana seguinte, ou enviamos para onde estiver.

Se alguma coisa não estiver bem, diz-se ali. É para isso que existe a prova, e é por isso que ela acontece antes de a peça estar fechada e não depois.

Ninguém tem de chegar aqui a saber o que quer. Tem de chegar a saber para que serve.

Perguntas antes de encomendar

Preciso de marcar?
Sim, trabalhamos por marcação, todos os dias da semana, incluindo sábado e domingo. Marca-se por telefone, WhatsApp ou pela página de contacto.

A consulta custa alguma coisa?
Não, e não obriga a encomendar. Demora cerca de uma hora.

O que devo levar comigo?
O fato ou o casaco que hoje lhe serve melhor e os sapatos que tenciona usar com o fato novo. Mais nada é necessário.

Quanto tempo demoram as medidas?
Cerca de vinte minutos para vinte medidas, mais as notas de postura. Ficam guardadas com o seu nome para as encomendas seguintes.

Em que línguas é feita a consulta?
Português, inglês, espanhol e russo.

E se na prova alguma coisa não estiver bem?
Marca-se a giz e acerta-se antes de a peça ser fechada. É essa a razão de existir uma prova a meio e não uma inspeção no fim.

Marcar uma visita ao ATELIER 23

Mostramos os tecidos em corte, tiramos as medidas e damos-lhe um prazo. As peças prontas estão no catálogo e o processo está descrito em medida por medida. A visita demora cerca de uma hora e não obriga a nada.

Marcar uma visita

Avenida da Liberdade 110, escritório 209
1269-046 Lisboa
Visitas mediante marcação · +351 912 204 778
Com os melhores cumprimentos, Andrey Kostenko
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