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9 dicas antes do seu primeiro fato à medida

O que decidir antes de entrar no atelier, o que perguntar quando lá estiver e os erros que se pagam durante dez anos. Nove pontos, por ordem de importância.

Lapela e forro de um casaco azul-escuro ATELIER 23
Lapela e forro de um casaco azul-escuro. O primeiro fato decide-se nestes centimetros.

O primeiro fato à medida é a encomenda em que mais se erra, e quase sempre pelas mesmas razões: escolhe-se pela cor, decide-se depressa e pergunta-se pouco. Reuni os nove pontos que repito na mesa do atelier antes de qualquer primeiro fato à medida, por ordem de importância e não por ordem de conversa.

1. Decida para que serve antes de escolher a cor

Um fato para trabalhar cinco dias por semana, um fato para um casamento e um fato para jantares não são a mesma peça, e nenhum dos três resolve bem o papel dos outros. A pergunta que fazemos primeiro é sempre esta, porque muda o tecido, o peso, o forro e até o número de bolsos. Quem responde honestamente sai daqui com uma peça que usa; quem responde «para tudo» acaba com uma que usa pouco.

2. O primeiro é azul-escuro, liso, direito

Sei que é a resposta menos interessante possível, e continua a ser a certa. O azul-escuro liso serve numa reunião, num casamento, num funeral e num jantar. Aceita camisa branca, azul e às riscas, aceita todos os sapatos exceto sapatilhas, e não se torna reconhecível ao fim de três utilizações, como acontece com um padrão marcado. A originalidade compra-se no segundo fato, quando já existe um que resolve tudo.

3. Leve o casaco que hoje lhe serve melhor

Mesmo que esteja gasto, mesmo que seja de fábrica. Um casaco que assenta razoavelmente diz em dois minutos o que meia hora de conversa não diz: onde tem os ombros, quanto espaço precisa nas costas, como cai a manga no seu braço. É o ponto de partida mais honesto que existe, e poupa uma prova.

4. Diga o que os seus fatos fazem mal, não o que quer que o novo faça

«Quero um fato elegante» não dá informação nenhuma. «Repuxa nas costas quando conduzo», «a manga tapa-me o punho da camisa», «o colarinho afasta-se do pescoço quando ando» são três frases que mudam três medidas. Venha com as queixas, não com o ideal. O ideal construímo-lo nós a partir delas.

5. Deixe o forro, os botões e o monograma para o fim

São as decisões de que toda a gente gosta e as únicas que não alteram nada de importante. Decidem-se na prova, quando a peça já existe e se vê o que lhe fica bem por dentro. Na primeira visita decide-se o que não se pode mudar depois: o tecido, o peso, a silhueta e o prazo. Os pormenores de construção que valem a pena verificar num fato feito estão reunidos em dez regras para um fato que dura.

Amostras de tecidos italianos na mesa do atelier
Aperte a amostra na mão fechada cinco segundos. Se os vincos desaparecerem, a torção é boa.
Livros de amostras Loro Piana no atelier
Pergunte o peso e o nome da fábrica. Se a resposta demorar, o problema não é o tecido.

6. Leve os sapatos que vai usar

O comprimento das calças mede-se com os sapatos calçados, e dois centímetros de salto mudam a bainha inteira. Quem vem de sapatilhas para uma prova acaba com calças curtas de sapato ou compridas de sapatilha. Se houver dois pares muito diferentes, decide-se qual é o principal e faz-se a bainha para esse.

Casaco alinhavado na primeira prova, lapela por pespontar
Na prova o casaco ainda está em alinhavo. É a última vez que o ombro se discute.
Bolso preso com alfinetes durante a prova
Os bolsos movem-se para o braço de quem os vai usar, não ao contrário.

7. Não peça o corte da moda deste ano

Lapelas muito estreitas, casacos muito curtos e calças muito justas datam um fato com precisão de etiqueta de supermercado. O corte que não envelhece é o do meio: lapela entre oito e nove centímetros, casaco que cobre a anca, calças com folga suficiente para sentar. Daqui a dez anos ninguém consegue dizer em que ano foi feito, que é exatamente o objetivo.

8. Peça duas calças se o fato for de trabalho

As calças gastam-se ao dobro da velocidade do casaco, porque roçam, sentam-se e vão à limpeza mais vezes. Um segundo par duplica a vida útil do conjunto por uma fração do preço, e é o conselho desta lista que mais clientes agradecem passados três anos.

9. Pergunte o que acontece depois

Quem guarda o molde. Se há arranjos incluídos e durante quanto tempo. Se o forro se troca. Se é possível repetir o mesmo fato daqui a dois anos. Uma casa que trabalha a sério responde a isto sem hesitar, e a resposta diz mais sobre ela do que qualquer montra. No nosso caso, cada peça leva um número, e com esse número ficam guardados o molde e o lote de tecido.

A cintura ajusta-se. O ombro não. Comece por aí.ATELIER 23

Fato cinzento ATELIER 23 em manequim no atelier
O segundo fato é o cinzento médio. A partir daí já se pode escolher pelo gosto.

Perguntas antes de encomendar

Qual deve ser o primeiro fato à medida?
Azul-escuro, liso, direito, em lã de 250 a 280 gramas. Serve numa reunião, num casamento e num jantar.

Quanto tempo demora?
Quatro a seis semanas com uma prova. A primeira conversa demora cerca de uma hora.

Quanto custa um primeiro fato à medida?
Os fatos por medida começam nos 900 euros e vão até cerca de 2 000 consoante o tecido. O valor exato diz-se com o corte já escolhido.

Vale a pena pedir duas calças?
Vale, sobretudo num fato de trabalho. As calças gastam-se ao dobro da velocidade do casaco.

O que levar à prova?
Os sapatos que vai usar com o fato e a camisa habitual. O comprimento das calças depende do salto.

Onde fica o atelier ATELIER 23?
Avenida da Liberdade 110, escritório 209, em Lisboa. Visitas mediante marcação, todos os dias.

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Vemos os tecidos em corte, respondemos a estas nove perguntas com as peças na mão e tiramos as medidas. Os fatos prontos estão no catálogo. A visita demora cerca de uma hora e não obriga a nada.

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Avenida da Liberdade 110, escritório 209
1269-046 Lisboa
Visitas mediante marcação · +351 912 204 778
Com os melhores cumprimentos, Andrey Kostenko
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